Eu tive a melhor amiga que uma criança solitária poderia
ter.
Quando pequeninas no quintal, corríamos no corredor, jogando
bola, pulando e provocando uma a outra.
E depois eu fui crescendo e ela ficava cada vez mais madura.
Eu adolescente ou jovenzinha, chorava em meu quarto a cada morte que sofria e
ela sábia adulta, sentava ao meu lado e esperava a calmaria.
Eu nunca estava sozinha. Mesmo que saísse cedinho e voltasse
quase no outro dia, os minutinhos que a via fazia toda diferença. Porque nos
conhecíamos como ninguém. Bastava ela me olhar com doçura que eu me sentia
acolhida.
Ela era tão pequeninha e tinha a presença de um Buda. Seu
abraço era macio e seus olhinhos amorosos. Um dia fui embora e a deixei. Tive
que ir e ela entendeu. Expliquei que sempre viria vê-la, mas precisava partir
pois minha vida esperava por mim. Ela já velhinha me abençoou e fui.
Vi ela ficar doente, e me sentia mal por não estar por
perto. Sempre que a via, a abraçava e me despedia, sem antes dizer obrigada e
te amo.
Teve uma vez que eu exausta dos dias, programei uma descida
a praia, mas dias antes ela piorou. Antes da viagem passei para um beijo e como
imaginava, ela estava exausta também. Talvez ela tivesse mesmo terminado sua
viagem, enquanto eu ainda nem começara a minha.
Naquele dia eu chorei e dessa vez fui eu quem a abençoei.
Depois daquele dia, algo em mim se foi pra sempre.
Mas ela sempre companheira, às vezes me vêm em sonhos e
assim matamos a saudades. Quando acordo me recordo que sua vida vibrante, se
tornou uma arvorezinha feliz e sua tranquila presença é sempre constante.


Nenhum comentário:
Postar um comentário