Há tempos atrás batizei minha raiva reprimida de revolta.
Revolta é uma palavra bonita, me faz pensar sobre mim mesma como uma idealista
que tem razões para se irritar e para julgar como ignorantes aqueles que pensam o
contrário de mim. Afinal, essa sou eu, uma mulher estudada, esclarecida uma
economista estudante de história com uma considerável estante de livros lidos,
outros tantos ainda por ler, certo? Errado. Em tempos de luzes e sombras a
gente é testado diariamente. Aquele que tem ódio, mas tinha uma carinha
amigável e conversava trivialidades com você, hoje mostra suas garras, seus
olhos esbugalhados, destilando seus horrores estômago a fora. Seu monstro agora
está exposto. Com mais horror e repulsa eu olho para ele e aquilo mexe comigo.
Ele me provoca, ele me diz barbaridades. E justamente aquilo que eu considerava
meu maior trunfo me trai, o conhecimento. Sabendo que o que diz é absurdo, meu
monstro interior começa a se inquietar. Dotado de uma arrogância inigualável,
de um Ego intelectual maior até que a ignorância do monstro interlocutor,
começo a rebater com argumentos que o outro não entende, não enxerga, não quer
ouvir e assim ficamos com ódio um do outro. No fim somos mesmo iguais. Ninguém
aqui é um anjo de luz, mas contemos um pouco de luz. Ninguém aqui é um demônio
das trevas, mas contemos sombras. Num momento como este um enorme espelho
invertido está diante de cada um de nós na forma daquele que mais te irrita,
que mais te incomoda, que mais te causa repulsa ou ódio. Ele é você. Ele é seu
lado feio, sujo, obscuro. Os monstros estão expostos pela luz azul da tela do
celular e você vai continuar culpando o outro? Todos estão perdidos como você!
É chegada a dolorosa hora de olhar para nossos próprios monstros, olhar para nós
mesmos. Observar cada passo nosso, cada fagulha de ódio e rancor, de
preconceitos, de medo, de covardias, pois os testes já começaram. Nada mais
ficará escondido, é preciso encarar os olhos vidrados de seu monstro pessoal. O
meu não aguenta ter que ficar quietinho e mesmo esse texto pode ser uma
manifestação dele com uma capa bonita de sabedoria em meio ao caos, sei disso.
Sei que sou muitas, sou multidões. Quem sou eu na realidade? Ainda não posso
saber, talvez não esteja pronta, talvez ainda não mereça, porque pelo visto aprendi
pouco com tanto livro. Falta prática. Falta dedicação e entrega. Falta coragem.
Falta minha morte que ainda não chegou. Falta presença absoluta. Falta parar de
fugir da realidade através de sonhos. Falta gratidão. Meu monstro se revelou
para mim, olhar em seus olhos foi quase insuportável. A verdade dói, a verdade
tira o chão sobre seus pés e você nunca mais volta a ser o mesmo. Você vai se
lembrar pra sempre do labirinto escuro e por isso mesmo vai se esforçar ainda mais
para atingir a luz. Este momento é uma oportunidade de enxergar da onde nasce o
mal, a fração de segundo que ele surge dentro de nós. É um momento maravilhoso
para se estar vivo, sair da ilusão e se transformar. Estou tentando aos poucos.
Quando percebo já me deixei dominar, preciso ajustar o tempo da percepção,
preciso estar consciente a todo momento para conseguir “pegar meu mal no ar”...
Momentos decisivos na evolução humana, vamos juntos, somos uma coisa só.
Exaltação da poesia existente na natureza, e na astronomia. Entendimento do todo e do "nós". Gratidão pelo conhecimento não cegar a imaginação. A "vida comum" é carregada de poesia filosófica e intuitiva.
terça-feira, 16 de outubro de 2018
domingo, 13 de maio de 2018
sobre idas e vidas
Eu tive a melhor amiga que uma criança solitária poderia
ter.
Quando pequeninas no quintal, corríamos no corredor, jogando
bola, pulando e provocando uma a outra.
E depois eu fui crescendo e ela ficava cada vez mais madura.
Eu adolescente ou jovenzinha, chorava em meu quarto a cada morte que sofria e
ela sábia adulta, sentava ao meu lado e esperava a calmaria.
Eu nunca estava sozinha. Mesmo que saísse cedinho e voltasse
quase no outro dia, os minutinhos que a via fazia toda diferença. Porque nos
conhecíamos como ninguém. Bastava ela me olhar com doçura que eu me sentia
acolhida.
Ela era tão pequeninha e tinha a presença de um Buda. Seu
abraço era macio e seus olhinhos amorosos. Um dia fui embora e a deixei. Tive
que ir e ela entendeu. Expliquei que sempre viria vê-la, mas precisava partir
pois minha vida esperava por mim. Ela já velhinha me abençoou e fui.
Vi ela ficar doente, e me sentia mal por não estar por
perto. Sempre que a via, a abraçava e me despedia, sem antes dizer obrigada e
te amo.
Teve uma vez que eu exausta dos dias, programei uma descida
a praia, mas dias antes ela piorou. Antes da viagem passei para um beijo e como
imaginava, ela estava exausta também. Talvez ela tivesse mesmo terminado sua
viagem, enquanto eu ainda nem começara a minha.
Naquele dia eu chorei e dessa vez fui eu quem a abençoei.
Depois daquele dia, algo em mim se foi pra sempre.
Mas ela sempre companheira, às vezes me vêm em sonhos e
assim matamos a saudades. Quando acordo me recordo que sua vida vibrante, se
tornou uma arvorezinha feliz e sua tranquila presença é sempre constante.
terça-feira, 10 de abril de 2018
Sonham os Deuses
Coisas muito fortes se movem dentro de mim. Sonhos se tornam cada vez mais intensos, ideológicos, libertam meu pensamento para ir mais além. Até posso ver, como algo que já tivesse vivido. O futuro é luminoso, divino, de amor. Quero essa liberdade para amar. Sentir profundamente todos os sentimentos, provar o néctar de viver. Existência, o que podes me proporcionar? Que surpresas pode me trazer? Será que o futuro deve continuar sendo o presente e o passado? Não. Eu creio na transformação da ignorância em consciência. Conhecendo suas sombras, não poderás ser dominado.
Eu vejo luz nos campos verdes, brilhantes de tão verdes. Flores de cores inimagináveis. Vejo animais, árvores e pessoas sendo elas mesmas, dançando ao sabor do vento.
Me interessa essa gente que como eu, sente uma ancestralidade muito profunda com a natureza. Gente que gostaria de, descalços, correr pela mata e pular no rio. Tomar banho de cachoeira, descobrir os mistérios e a sabedoria da Mãe Terra. Me interessa que essas pessoas conheçam a si mesmas. Nós construiremos o modelo de um novo mundo, com o único objetivo de retornar ao nosso estado natural de integração. Nada faltará a quem tiver a ação correta, o pensamento correto e o coração cheio de esperança.
Não deixemos que a treva prevaleça dentro de nós, pois é chagada a hora de encará-la no fundo de seus frios olhos. Peça licença para adentrar seu mundo. Mantenha reta tua postura, não temas e não se curve. O novo mundo surgirá de dentro de você.
Podes ver? Está próximo. As coisas ficarão muito assustadoras e confusas antes de nossos corações se acalmarem em ternura. Não é necessário ambição, o dinheiro vale mais quando ainda é árvore. Porque tudo que precisamos, já temos. Você pode enxergar?
Não precisamos lutar para sobreviver, é só viver. Criar, como os Deuses que somos. Criar artes, filhos, animais, cultivar campos, alimentos, trocar, compartilhar, construir juntos. Sempre juntos. O primeiro passo para mudar o mundo é acreditar que pode e em seguida, iniciar a transformação.
quarta-feira, 28 de março de 2018
As sombras de sonhos assassinados dominam o animal (ir)racional
Reprimimos nossos sentimentos porque não temos tempo de senti-los. Tempo é dinheiro. Tempo não é reflexão nem descanso para a alma. Aprisionamos todo tipo de angustia por trás de um sorriso, porque a roda tem que girar e a mentira tem que ser vendida. Como uma barragem de sentimentos presos, choros engolidos, palavras não ditas, impulsos refreados, a mente e o coração humano se torna uma imensa panela de pressão prestes a explodir em ansiedade, medo, pânico, ódio, rancor, frustração, depressão, disturbios mentais, atentados contra a própria vida ou contra a vida de outros. Não trabalhamos nossas emoções na escola nem em casa, mas aprendemos a ser ágeis, racionais, eficientes. Os meninos não podem chorar. As meninas não podem expressar o feminino. Todos temos que ser fortes, duros, frios, calculistas como somente uma máquina pode ser. Inabalável como um robô. Enquanto fingimos ser o super-homem e a mulher maravilha, dentro de nós o maior e mais poderoso vilão vai tomando forma e ele pode a qualquer momento vir nos pegar, nos engolir e nos deixar perdidos, cegos, pequenos, exaustos de lutar e de viver. Todo o medo do exterior é apenas uma projeção do medo de si mesmo. Existe apenas um inimigo, nós mesmos. Existe um mecanismo de fabricação de inimigos, o sistema. Dessa forma, até o homem mais poderoso do mundo é uma criança que acordou no meio da noite de um pesadelo terrível e precisa do colo de sua mãe.Se pudêssemos, voltaríamos a seu útero ou ao que existiu antes dele, ou ainda ao que pode existir após a nossa morte. Diante de um cenário como este, alimentamos nosso vilão com mais culpa por ter fraquejado, por não ter aguentado firme, por termos explodido em pedaços. A culpa não é de ninguém as coisas são como são, as pessoas são diferentes e respondem às situações de formas diversas, mas nem por isso temos que olhar para esse mundo com complacência e submissão. Somos transformáveis. Acreditar que podemos mudar já é começarmos a grande revolução. Primeiro a gente limpa nossa casa, depois ajudamos a limpeza da casa das outras pessoas, abrindo as janelas, trazendo a luz do sol para dentro, arejando os cômodos, varrendo todos os cantos, jogando fora as coisas velhas. O vilão não gosta de limpeza e luz, ele simplesmente se vai. Nessa, você encontra aquele sonho antigo que foi arquivado na gaveta, empoeirado, amarelado, esquecido, deixado de lado quando você se tornou "adulto". E aquela pintura inacabada, aquele tesouro escondido se mostra completamente palpável e claro, vai contra todo o estilo de vida que você leva hoje. Neste momento você pode escolher arquivar seu sonho novamente, ou você pode tornar possível o impossível. Pois sonhar é resistir à dureza do mundo. Sonhar é insistir na vida que queremos ter. A Grande Revolução terráqueos, é pacífica e começa dentro de cada ser humano. Como seu sonho pode ajudar a juntar seus pedacinhos e torná-lo um Ser pleno e inteiro? E como esse Ser pleno e inteiro pode contribuir para a construção de um mundo mais justo e luminoso?
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